Trinta anos de agricultura regenerativa transformados numa experiência de hospitalidade.
A marca existente não tinha sido criada para refletir aquilo em que a Casa Vale da Lama se tinha tornado. Não conseguia transmitir a profundidade do projeto e não chegava às pessoas que realmente o valorizariam. Antes de se poder dar início a qualquer trabalho visual, era necessário redefinir o próprio target.
O Walt e a Nita vieram para Portugal à procura de outro ritmo de vida: mais próximo da natureza, mais próximo das pessoas. Em 1994, fundaram uma associação na Serra de Monchique para criar experiências de aprendizagem para crianças e apoiar as famílias locais. Em 2003, um incêndio destruiu a serra e o projeto perdeu a sua sede. À procura de um novo espaço, encontraram em Lagos a oportunidade de um novo começo, bem planeado com vista à sustentabilidade. Veio a permacultura, a produção alimentar, uma comunidade e, para sustentar tudo isto, o agroturismo.
A Casa Vale da Lama é o próximo capítulo: alojamento, restaurante, spa, piscina e experiências práticas na quinta, tudo concebido como um ponto de entrada para aquilo que o projeto tem vindo a ensinar há três décadas. Uma nova linguagem arquitetónica, assente no princípio da arquitetura vernácula, foi moldada para se integrar na paisagem, em vez de a dominar.
Começámos por identificar o target mais relevante. Optámos por não nos direcionar para o mercado do turismo de massa do Algarve, mas sim para um perfil cultural específico: amantes da natureza atraídos pelo sol e pela desconexão, e viajantes com consciência ecológica que procuram experiências autênticas e de baixo impacto, com as quais possam realmente aprender. As tendências confirmam esta orientação: 83% dos viajantes afirmam agora que o turismo sustentável é importante para eles, e prevê-se que o mercado global do agroturismo cresça de 60,89 mil milhões de dólares em 2024 para 79,9 mil milhões de dólares até 2028.
Uma vez que, atualmente, em Portugal, 80% dos visitantes que procuram este tipo de estadia são estrangeiros, posicionámos a Casa Vale da Lama como um destino mediterrânico, a competir com Ibiza, Menorca e a Toscana, onde a sustentabilidade se diferencia mais pelo grau do que pela natureza. A tarefa consistia em deixar claro que a diferença da Casa Vale da Lama era real.
Definimos o posicionamento que resume trinta anos de trabalho: «estadia numa quinta mediterrânica regenerativa e totalmente imersiva no Algarve, em Lagos». Regenerativo» porque a sustentabilidade nunca foi o limite. Vale da Lama centra-se numa agricultura que reconstrói o solo e a biodiversidade e oferece experiências que restauram o corpo, a mente e a alma, uma hospitalidade que restabelece a ligação entre as pessoas e a terra, práticas que regeneram a comunidade local e a tradição mediterrânica.
«Quinta» porque Vale da Lama cultiva a terra onde se situa. “Mãos na terra” para cultivar produtos no local e servi-los da quinta para a mesa. Indo além de um cenário rural para oferecer aos hóspedes uma ligação profunda e viva às estações e aos ciclos. «Estadia» porque é uma casa temporária onde a transformação acontece por si só, com tempo para abrandar o ritmo e espaço para descansar e refletir.
Na criação da identidade visual, fundimos a terra com a «casa», criando o conceito de «agri-tectura»: uma linguagem moderna e minimalista que encontra uma forma comum entre a nova arquitetura e uma enxada — a ferramenta manual que simboliza o início da regeneração. A quinta e a hospitalidade fundem-se num único sistema visual, tendo a terra como ponto de partida e o conforto como elemento sobreposto para quem procura refúgio.